Estudo de produto · rodada 12 · 08/09/2026

Duas opções
na mesma torre

A mesma lâmina, o mesmo núcleo, o mesmo terreno — e dois produtos diferentes dentro deles. A opção A é o que o caderno já tinha: 98 apartamentos grandes. A opção B nasceu do estudo do Wesley e da pesquisa de mercado dele: 108 apartamentos de 86 a 204 m². Tudo aqui foi medido pelo mesmo motor, na mesma régua. Voltar ao caderno →

A recomendação, antes dos detalhes

Opção C: 136 m², três por andar, com a fachada em painel pré-moldado. Contra a opção A são +R$ 6,0 M de resultado; contra a B, +R$ 13,2 M. Mesmo prédio, mesmo núcleo, mesma estrutura — muda a largura da unidade.

Esta recomendação mudou em 09/09, e é justo dizer por quê. Até esta data a página recomendava a opção B, com o apartamento de 86 m². O estudo daquele dia registrava, numa seção chamada “o que o sistema NÃO mediu”, que não havia como saber o preço por faixa de área na venda — e por isso o preço do 86 m² foi arbitrado com prêmio de 7 % sobre o de 108 m². O arquivo que aquela seção citava não existe. O que existe tem área em 100 % dos 12.216 anúncios, e ele diz o contrário: a faixa de 70–90 m² vale 36 % menos por metro que a de 90–110, não mais.

Duas coisas seguem valendo e não são opinião: o corpo de bombeiros obriga antecâmara e elevador de emergência acima de 80 m — já está desenhado; e o custo de obra real não é 48 nem 59 milhões.

O que era obrigatório e já foi feito

O núcleo refeito por lei

As Instruções Técnicas do Corpo de Bombeiros de Minas exigem, em prédio residencial acima de 80 metros, antecâmara pressurizada no acesso à escada e elevador de emergência com poço próprio. O caderno dizia que a escada pressurizada dispensava a antecâmara — isso vale até 80 m, e a torre tem cerca de 100.

Antecâmara
1,90 × 2,60 m

duas portas corta-fogo, pressurizada a 50 Pa, em todos os 30 níveis

Elevador de emergência
o de serviço

sobe para junto da escada, ganha poço de 4 horas de resistência e circuito próprio no gerador

Custo em área privativa
zero

coube nos mesmos 4,5 m de núcleo, sem alargar a torre e sem mover porta de apartamento

O que se vê da rua

As três opções na mesma escala

99,9 m de altura, 30 pavimentos, mesmo núcleo e mesma área vendável por andar (408 m²). O que muda é o ritmo da fachada: a unidade tem 13,0 m na opção A, 10,4 + 14,2 m na B e 16,4 m na C. A diferença aparece aqui antes de aparecer na planilha.

Elevação norte das três opções do Altezza, na mesma escala
Elevação esquemática, e vale dizer o que ela não é: traz a altura real de cada pavimento e a largura real de cada unidade, para comparar partido e ritmo. Não dimensiona caixilho, não define perfil, não calcula carga de vento nem estanqueidade, e não substitui o detalhamento do fornecedor da pele — isso é projeto de fachada com responsável técnico. Alturas: garagens 2,90 m · térreo 5,00 · jardim suspenso 4,00 · pavimento-tipo 3,10 (×26) · rooftop 4,50.
Lado a lado

As duas opções na mesma régua

Mesma obra (R$ 58,96 M), mesmo prazo (36 + 20 meses), mesma permuta (11 %), mesmo financiamento (banco em 50 % da obra + tabela progressiva de 0,4 %/mês). O que muda é só o produto.

 Opção AOpção BOpção C — recomendadaREV00 do Wesley
Apartamentos9810884108
Tipologias 84 × 108 m² + 14 Sky × 160 m² 52 × 86 m² (2 suítes) + 52 × 118 m² (3 suítes) + 4 × 204 m² (coroa) 84 × 136 m² (3 suítes + escritório) 108 × 100 m² (80 a 120)
Área privativa11.312 m²11.424 m²11.424 m²10.813 m²
Preço médioR$ 10.495/m²R$ 10.522/m²R$ 10.543/m²R$ 10.200/m²
VGVR$ 118,7 MR$ 120,2 MR$ 120,4 MR$ 110,3 M
Resultado — preço arbitrado, obra 59 MR$ 24,3 MR$ 25,4 MR$ 17,8 M
Margem — idem20,4 %21,1 %16,1 %
Resultado — preço MEDIDO, obra 64 MR$ 1,8 M−R$ 5,4 MR$ 7,9 M
Margem — idem1,6 %−5,3 %6,5 %
Retorno ao ano38,7 %40,2 %10,7 %29,6 %
Caixa preso no picoR$ 16,3 MR$ 16,3 MR$ 16,3 MR$ 16,6 M
Ticket de entradaR$ 1,08 MR$ 920 milR$ 1,43 MR$ 816 mil
Condomínio na menor unidadeR$ 1.524R$ 1.138R$ 1.795
Estoque da tipologia principal18,4 meses (3 dorm.)10,0 meses (2 dorm.)18,4 meses (3 dorm.)18,4 meses (3 dorm.)
R$/m² MEDIDO na faixa8.935 (n=102)5.751 (n=108)9.420 (n=130)8.935
Financiamento pelo compradortudo dentro do teto do SFHtudo dentro do teto do SFH, coroa inclusivedentro do teto do SFHdentro do teto

Por que há duas linhas de resultado. A de cima é como as opções foram precificadas até 08/09: preço por metro arbitrado, e obra de R$ 58,96 M. A de baixo aplica a curva de preço por faixa de área medida em 12.216 anúncios do sistema de pesquisa da casa, com a meta de obra honesta de R$ 64 M. A ordem entre as opções na leitura de baixo é a mesma nos três cenários de preço e nas duas obras testadas — é isso que dá confiança nela, não o número em si.

Velocidade de venda por tipologia: Sinduscon-Triângulo, 1º trimestre de 2026 — a mesma pesquisa anexada ao estudo do Wesley. Curva de R$/m² por faixa: imoveis_geo.geojson, apartamentos, mediana e intervalo de confiança de 95 % por bootstrap, medido em 09/09/2026. Anúncio é oferta, não venda fechada — o nível da curva é piso, e o que ela mede com segurança é a razão entre faixas. Resultado, margem, retorno e caixa: motor de viabilidade da casa, pilha com banco.

O número que decide tudo

O custo de obra não é 48 nem 59 milhões

O estudo do Wesley usa o preço unitário certo — ele difere só 1,4 % do nosso levantamento item a item. Só que ele aplica esse preço a 17.727 m², e o programa que está desenhado tem 21.456 m². Três caminhos independentes chegam ao mesmo lugar.

Preço do Wesley na nossa área
R$ 66,1 M

R$ 3.079,90 por m² × 21.456 m²

Orçamento por ambiente sem compressão
R$ 68,7 M

o mesmo arquivo, sem o fator 0,636 que forçava o teto de 48 M

Levantamento por sistema
R$ 65,2 M

custo direto e indireto somados linha a linha

Custo de obraMargemResultadoLeitura
R$ 48,0 M31,1 %R$ 36,9 Ma meta antiga — não se sustenta no programa desenhado
R$ 58,96 M20,4 %R$ 24,3 Mo número do REV00, na área menor
R$ 59,4 M20,0 %R$ 23,8 Mo ponto em que a margem encosta no piso de disciplina
R$ 64,0 M15,5 %R$ 18,4 Ma meta honesta, já com as economias possíveis
R$ 66,0 M13,6 %R$ 16,1 Mo número com que se trava preço de lançamento

O que devolve a margem: obra em R$ 64 M + preço do apartamento principal a R$ 1,17 M + obra em 33 meses em vez de 36 + permuta negociada a 10 %. Isso dá R$ 26,3 M e 20,8 %. São quatro alavancas, e nenhuma delas é apertar o orçamento no papel.

As três decisões que estavam abertas

Resolvidas com número

decidido

Água quente

Bomba de calor central, não aquecimento solar.

O solar não é caro — é grande demais. Precisaria de 320 m² de coletor e o terraço tem 87 m² livres depois da piscina e da casa de máquinas. A bomba de calor ocupa 40 m², custa R$ 0,24 M a mais e tira 0,23 ponto da margem.

decidido

Ar-condicionado

Infraestrutura por apartamento, sistema central só nas áreas comuns.

O sistema central carrega de 40 a 90 kg de gás refrigerante; a norma de segurança admite 11 kg num quarto de 28 m³. Além disso, os 89 metros entre o terraço e o primeiro andar batem no limite dos fabricantes. O central custaria 3,5 pontos de margem.

para negociar

Custo de obra

R$ 64 M como meta, R$ 66 M para travar preço.

Nunca os dois no mesmo lugar: com 64 se negocia construtora, com 66 se define o preço de venda. A diferença é a margem de segurança que não se gasta duas vezes.

Fachada e lazer

A casca e o que ela custa

Opção A — pedra, sombra e latão
R$ 13,2 M

22,4 % do custo de obra · R$ 134,7 mil por apartamento

  • pódio em pedra clara com inserto de inox; módulo de 1,57 m, 60 por pavimento
  • 37 % de vidro na fachada, brise vertical de alumínio a leste e oeste
  • a separação entre andares que o bombeiro exige vira aba de concreto de 0,90 m — preserva o vidro do chão ao teto
  • precisa de equipamento de manutenção de braço longo e tem risco de vibração de brise ainda em aberto
Opção B — o pré-moldado que conta os andares
R$ 9,7 M

16,4 % do custo de obra · R$ 89,8 mil por apartamento

  • painel arquitetônico de 3,14 m que já sai da fôrma com peitoril de 1,20 m — a separação entre andares vem pronta, pela letra da norma
  • aleta de sombra de 0,35 m no próprio painel: sem brise de alumínio no orçamento
  • areia clara com duas faixas em dourado marcando o jardim suspenso e o terraço
  • recomendada mesmo se o produto escolhido for o A — economiza R$ 3,5 M e tira risco
Condomínio — o que a conta revela

Mais apartamentos não barateiam o condomínio por metro quadrado, porque a área privativa total encolhe junto. Nas duas opções o custo fica em torno de R$ 14 por m² por mês. O que a opção B barateia é o ticket de entrada: R$ 1.138 contra R$ 1.524. Isso é objeção de venda, não planilha de custo.

A meta de R$ 8 a 9 por m² que estava no caderno não sobrevive ao programa de lazer desenhado — e não é pessimismo nosso: prédios comparáveis em São Paulo estão em R$ 15,10. Recomendação: portaria híbrida em vez de remota (portaria é o segundo atributo de decisão de compra) e comunicar R$ 13 a 14 por m² desde o lançamento.

Para levar ao escritório

Os projetos complementares

Sete disciplinas em nível de anteprojeto, desenhadas a partir da mesma geometria que as travas mediram: estrutura e fundações, hidráulica e gás, elétrica e telecomunicações, incêndio, climatização, fachada e sistemas, e a coordenação. Cada prancha sai em DWG (abre em qualquer CAD) e em PDF para imprimir.

As pranchas são de anteprojeto e servem para pedir e conferir proposta de projetista. Elas não substituem projeto executivo com responsável técnico — o que cada disciplina precisa entregar, em que fase e por quanto está na planilha de quantitativos e na base de coordenação.

O que ainda depende de decisão ou de terceiro
  • A escolha é do Leandro. A recomendação é C — 136 m², três por andar — com a fachada pré-moldada. A continua viável; B só fecha se o preço do 86 m² desmentir a curva medida, e não há na base nenhuma evidência de que desminta.
  • A ressalva que vale para as três. Com a obra honesta de R$ 64 M, nenhuma passa de 6,5 % de margem. Isso é apertado para incorporação, e o mix não resolve: ou o lançamento vende acima do estoque anunciado — que é o normal, mas é uma aposta — ou a obra fica abaixo de 64 M, que é o que o orçamento executivo tem de provar. O mix escolhe qual aposta se faz; ele não dispensa a aposta.
  • O que não consegui descartar. O buraco de preço em 70–90 m² pode ser idade do estoque (3 quartos sem suíte de prédios antigos) e não desprezo pela metragem — o dado não traz ano de construção. O que se pode afirmar é que não existe evidência de prêmio nessa faixa, e a recomendação anterior dependia inteiramente de que existisse.
  • O orçamento executivo trava o custo. Enquanto ele não existe, R$ 64 M é a melhor estimativa e R$ 66 M é o número prudente para o preço.
  • Dois pontos dependem do analista público: se o gramado multiuso conta como recreação infantil na prefeitura (na opção B, se não contar, falta área) e se o bombeiro aceita a soma de aba e rodapé na fachada da opção A.
  • O preço por metro quadrado é o risco maior das duas opções. Nossa própria pesquisa mede R$ 6.226/m² no entorno; lançar a R$ 10 mil é 61 % acima. Vale para A, para B e para o estudo do Wesley igualmente.